AS GRANDES PRIMEIRAS VANGUARDAS DO SÉC. XX
INTRODUÇÃO
CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL
Esta pesquisa visa explorar características imprescindíveis a qualquer conceito que aponte abordar as intencionalidades que a História da Arte actual trás na afirmação corrente do que é uma arte plástica e o que essa pode criar. Pretendendo assim acrescentar conhecimento a qualquer curioso no que toca à sua sensibilidade artística, percorrendo impressões rítmicas e plásticas comuns nas mais diferentes áreas em que se possam destacar, nomeadamente, Arquitectura, Escultura, Pintura, Cinema, Dança, etc. Uma busca de perspectiva criatividade teórica sentida e se possível materializada de forma eficaz, a corresponder a uma prática que pretende satisfazer as necessidades de adaptabilidade por parte de qualquer um que tome consciência suficiente do espaço que este preenche no todo que o engloba.
Apontando em todas as direcções para uma focagem mais abrangente em torno das primeiras grandes vanguardas estéticas que puderam ilustrar e sentir a sociedade Europeia do séc. XX, tomando uma iniciativa dinâmica que soube produzir experiências significativas em meados da segunda metade do séc. XIX até à mais presente época contemporânea.
O mundo Ocidental pôde conhecer agora uma reestruturação político-social que teve lugar em finais do séc. XVIII até meados do séc. XIX dando azo às múltiplas “excentricidades” que viriam a ser trabalhadas daí por diante.
A sua propagação estendeu-se desde o “Velho Mundo” (Europa), até ás “Américas” varrendo todo um atlântico que os separa. O assentamento das massas sociais foram propicias à tomada de condutas do aperfeiçoamento colectivo que se generalizou face aos ajustes da época, o consolidar de triunfos democráticos liberais Europeus de ordem Burguesa vêem reabrir expectativas há muito depostas em função da credibilidade vivida, depositada nas expectativas de um povo que não encontrava nenhuma garantia assegurada por parte do Estado que o acolhia. Os sistemas representativos e de intervenção social do Estado conseguiram mudar com a finalidade de solucionar necessidades básicas tendendo a aprofundar um incremento significativo da sua acção corrente, desencadeando mais e fortes soluções nos vários sectores a respeito da educação, saúde, trabalho e cultura. Novos partidos políticos de oposição estariam presentes: Republicanos, Socialistas e Anarco-sindicalistas que tinham como apoiantes as classes médias e operariado, que agora mais do que nunca viam visível a sua consolidação social de ordem burguesa, industrial e urbana.
Agora que se conseguiram reunir condições favoráveis no que toca ás inclinações pessoais de cada individuo entre os actos passados que repercutem um devido agir activo que por sua vez nos ajudaram a adquirir gerações que redescobriram evidências pouco práticas ao elaborar um sentido mais utópico do qual a arte sempre sofreu.
Saber como produzir objectivos é igualmente importante no que toca a esta nova época com condições suficientes que impliquem o concretizar de abordagens mais trabalhosas, que antes de uma revolução industrial não eram possíveis de realizar, hoje podemos dizer que é quase do alcance geral acreditar que se pode materializar tudo aquilo que se sente.
Com a génese desta ideia melhor estudada, podemos então seguir em frente e ser capazes de distinguir qual a corrente pela qual nos sentimos mais familiarizados, sendo assim capazes de traduzir qualquer finalidade que estruture o nosso conceito de liberdade ao modelar os ideais que sintetizam uma sensível postura de credibilidade, estando esta na origem do que corre em torno das mentalidades.
Elementos fundamentais no que trata em ocupar um campo da análise mais coerente, o valor que se esconde por detrás do saber apontar o dedo à bússola das características vanguardistas que conseguem colher um carácter pessoal/colectivo, consciente/inconsciente que por consequência depositam um maior requinte por parte da sua selecção que soube seguir um período de espera onde as ideias tiveram tempo para amadurecer tornando abrangivel o consolidar de estilos e técnicas adaptando-se conforme o que é proposto criar, estudando reflexos subtis agora propostos em consequência de tudo daquilo que a sociedade faz mexer.
Os principais centros difusores que serviram de tubo de ensaio para o mundo lá fora, foram nada mais do que os grandes centros urbanizados, as grandes metrópoles que patrocinavam múltiplas iniciativas por parte da acção humana que via aqui os seus núcleos demográficos, económicos, políticos e culturais. Por sua vez as zonas rurais são um pouco deixadas ao abandono acabando por recuar no tempo ou mesmo estagnar.
Esta estância temporal vivida pela sociedade contemporânea em princípios do novo século é denominada por Período Oitocentista. Vir-se-ia a regista uma altura coberta de descobertas genuínas que levariam ao percorrer de toda uma nova vida moderna, mais motivada que nunca, arrastando as suas influências e perspectivas por todas as cidades da Europa graças aos meios de comunicação e de transporte que disponham favorecendo uma maior propagação na acumulada informação.
As cidades tornar-se-iam não só centros políticos, culturais e económicos como locais de extrema diversão e lazer: hotéis, galerias de arte, bibliotecas, hospitais modernizados, teatros, cafés, cabarets, etc, enriqueciam o dia-a-dia de qualquer cidadão comum que podia então registar novas sensações que lhe possibilitam o desfrutar de uma vasta gama de utilidades satisfazendo as suas necessidades conforme seu entender.
Tudo isto e muito mais seria possível encontrar nas sociedades Oitocentistas, as mentalidades da população mostravam como o trabalho se pode fundir em harmonia com o lazer, sociedades mais confiantes e optimistas em relação ao que concebiam e em função do seu futuro forneciam o incentivo necessário que gerava um apego maior à modernidade dos nosso tempos e o quanto isso veio influenciar o evoluir da condição de uma vida melhor.
O nosso trabalho destina-se a somar um levantamento mais específico no que toca ao adquirir dados que colocam a nu os ideais vanguardistas mais relevantes que tiveram impacto na viragem do século. A minha iniciativa levou-me a escolher o Realismo (Neo-Realismo), Impressionismo, e Expressionismo; mas em função desta mesma disciplina que se adapta a todo este trabalho, acrescentamos um paralelismo cinematográfico que percorra os meandros da indústria cinéfila mais relevante que justifique a escolha que tomei face aos critérios mais subjacentes do que é grande parte do cinema, e de como apenas a 7ª arte consegue projectar sobre si todas as restantes seis no intuito clássico omnipresente que será valorizar os desígnios humanos.
Toulouse-Lautrec, A Dança no Moulin Rouge, 1890, Museu de Arte de Filadélfia.
O desejo de diversão Oitocentista traduziu-se no aparecimento de inúmeros novos locais de lazer, onde foliões de classes sociais se reuniam para conviver. O Moulin Rouge foi um dos mais famosos cafés-concerto da cidade de Paris, no período da Belle Époque.
Estes locais de diversão foram igualmente importantes focos culturais onde artistas plásticos, músicos, filósofos e escritores podiam criar e trocar ideias. Muitos dos movimentos mais significativos desse século nasceram destas tertúlias intelectuais noctívagas.
CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL
Esta pesquisa visa explorar características imprescindíveis a qualquer conceito que aponte abordar as intencionalidades que a História da Arte actual trás na afirmação corrente do que é uma arte plástica e o que essa pode criar. Pretendendo assim acrescentar conhecimento a qualquer curioso no que toca à sua sensibilidade artística, percorrendo impressões rítmicas e plásticas comuns nas mais diferentes áreas em que se possam destacar, nomeadamente, Arquitectura, Escultura, Pintura, Cinema, Dança, etc. Uma busca de perspectiva criatividade teórica sentida e se possível materializada de forma eficaz, a corresponder a uma prática que pretende satisfazer as necessidades de adaptabilidade por parte de qualquer um que tome consciência suficiente do espaço que este preenche no todo que o engloba.
Apontando em todas as direcções para uma focagem mais abrangente em torno das primeiras grandes vanguardas estéticas que puderam ilustrar e sentir a sociedade Europeia do séc. XX, tomando uma iniciativa dinâmica que soube produzir experiências significativas em meados da segunda metade do séc. XIX até à mais presente época contemporânea.
O mundo Ocidental pôde conhecer agora uma reestruturação político-social que teve lugar em finais do séc. XVIII até meados do séc. XIX dando azo às múltiplas “excentricidades” que viriam a ser trabalhadas daí por diante.
A sua propagação estendeu-se desde o “Velho Mundo” (Europa), até ás “Américas” varrendo todo um atlântico que os separa. O assentamento das massas sociais foram propicias à tomada de condutas do aperfeiçoamento colectivo que se generalizou face aos ajustes da época, o consolidar de triunfos democráticos liberais Europeus de ordem Burguesa vêem reabrir expectativas há muito depostas em função da credibilidade vivida, depositada nas expectativas de um povo que não encontrava nenhuma garantia assegurada por parte do Estado que o acolhia. Os sistemas representativos e de intervenção social do Estado conseguiram mudar com a finalidade de solucionar necessidades básicas tendendo a aprofundar um incremento significativo da sua acção corrente, desencadeando mais e fortes soluções nos vários sectores a respeito da educação, saúde, trabalho e cultura. Novos partidos políticos de oposição estariam presentes: Republicanos, Socialistas e Anarco-sindicalistas que tinham como apoiantes as classes médias e operariado, que agora mais do que nunca viam visível a sua consolidação social de ordem burguesa, industrial e urbana.
Agora que se conseguiram reunir condições favoráveis no que toca ás inclinações pessoais de cada individuo entre os actos passados que repercutem um devido agir activo que por sua vez nos ajudaram a adquirir gerações que redescobriram evidências pouco práticas ao elaborar um sentido mais utópico do qual a arte sempre sofreu.
Saber como produzir objectivos é igualmente importante no que toca a esta nova época com condições suficientes que impliquem o concretizar de abordagens mais trabalhosas, que antes de uma revolução industrial não eram possíveis de realizar, hoje podemos dizer que é quase do alcance geral acreditar que se pode materializar tudo aquilo que se sente.
Com a génese desta ideia melhor estudada, podemos então seguir em frente e ser capazes de distinguir qual a corrente pela qual nos sentimos mais familiarizados, sendo assim capazes de traduzir qualquer finalidade que estruture o nosso conceito de liberdade ao modelar os ideais que sintetizam uma sensível postura de credibilidade, estando esta na origem do que corre em torno das mentalidades.
Elementos fundamentais no que trata em ocupar um campo da análise mais coerente, o valor que se esconde por detrás do saber apontar o dedo à bússola das características vanguardistas que conseguem colher um carácter pessoal/colectivo, consciente/inconsciente que por consequência depositam um maior requinte por parte da sua selecção que soube seguir um período de espera onde as ideias tiveram tempo para amadurecer tornando abrangivel o consolidar de estilos e técnicas adaptando-se conforme o que é proposto criar, estudando reflexos subtis agora propostos em consequência de tudo daquilo que a sociedade faz mexer.
Os principais centros difusores que serviram de tubo de ensaio para o mundo lá fora, foram nada mais do que os grandes centros urbanizados, as grandes metrópoles que patrocinavam múltiplas iniciativas por parte da acção humana que via aqui os seus núcleos demográficos, económicos, políticos e culturais. Por sua vez as zonas rurais são um pouco deixadas ao abandono acabando por recuar no tempo ou mesmo estagnar.
Esta estância temporal vivida pela sociedade contemporânea em princípios do novo século é denominada por Período Oitocentista. Vir-se-ia a regista uma altura coberta de descobertas genuínas que levariam ao percorrer de toda uma nova vida moderna, mais motivada que nunca, arrastando as suas influências e perspectivas por todas as cidades da Europa graças aos meios de comunicação e de transporte que disponham favorecendo uma maior propagação na acumulada informação.
As cidades tornar-se-iam não só centros políticos, culturais e económicos como locais de extrema diversão e lazer: hotéis, galerias de arte, bibliotecas, hospitais modernizados, teatros, cafés, cabarets, etc, enriqueciam o dia-a-dia de qualquer cidadão comum que podia então registar novas sensações que lhe possibilitam o desfrutar de uma vasta gama de utilidades satisfazendo as suas necessidades conforme seu entender.
Tudo isto e muito mais seria possível encontrar nas sociedades Oitocentistas, as mentalidades da população mostravam como o trabalho se pode fundir em harmonia com o lazer, sociedades mais confiantes e optimistas em relação ao que concebiam e em função do seu futuro forneciam o incentivo necessário que gerava um apego maior à modernidade dos nosso tempos e o quanto isso veio influenciar o evoluir da condição de uma vida melhor.
O nosso trabalho destina-se a somar um levantamento mais específico no que toca ao adquirir dados que colocam a nu os ideais vanguardistas mais relevantes que tiveram impacto na viragem do século. A minha iniciativa levou-me a escolher o Realismo (Neo-Realismo), Impressionismo, e Expressionismo; mas em função desta mesma disciplina que se adapta a todo este trabalho, acrescentamos um paralelismo cinematográfico que percorra os meandros da indústria cinéfila mais relevante que justifique a escolha que tomei face aos critérios mais subjacentes do que é grande parte do cinema, e de como apenas a 7ª arte consegue projectar sobre si todas as restantes seis no intuito clássico omnipresente que será valorizar os desígnios humanos.
Toulouse-Lautrec, A Dança no Moulin Rouge, 1890, Museu de Arte de Filadélfia.
O desejo de diversão Oitocentista traduziu-se no aparecimento de inúmeros novos locais de lazer, onde foliões de classes sociais se reuniam para conviver. O Moulin Rouge foi um dos mais famosos cafés-concerto da cidade de Paris, no período da Belle Époque.
Estes locais de diversão foram igualmente importantes focos culturais onde artistas plásticos, músicos, filósofos e escritores podiam criar e trocar ideias. Muitos dos movimentos mais significativos desse século nasceram destas tertúlias intelectuais noctívagas.
O REALISMO E O NATURALISMO E AS ARTES PLÁSTICAS DOS MEADOS DO SÉC. XIX
A pintura realista surge em França, por volta das décadas de 30 e 40 do séc. XIX. Estaria bastante vinculada no que toca aos interesses políticos e sociais que faziam parte da sua época, com principal destaque para a Ascensão do 2º Império, a revolução de 1848 que pôde servir de “background” para uma primeira tentativa no ramo das artes plásticas que estariam ao serviço do relato institucionalizado, ou seja, uma acrescente necessidade em contar a história de como esta se tinha passado mas fazer dessa história uma autenticidade de provas que possam confirmar a veracidade dos factos ocorridos.
Antes tomara a literatura como forte alicerce de inspiração, mas este é rapidamente deposto quando decide tornar grande parte dos seus interesses as objectividades da Natureza facilmente observável, representar o real de forma minuciosa e fiel era grande parte do plano que se pretendia alcançar. Era a arte que expunha a vida moderna e rural da altura, abraçava os contornos dos quais esta mais recente sociedade vivia, como espelho que auxilia no que toca a reconhecermo-nos como indivíduos que não são todos os dias iguais, a sociedade também se apercebe das alterações de que é alvo e o como isso lhe fornece uma reflexão promissora, apelando a juízos da memória que não deixaram menosprezar o que pôde ser compreendido do pelo seu passado, caso não estejamos interessados em o voltar repetir.
A representação Humana é feita com acentuado rigor, a anatomia das proporções e das volumetrias e a cor do ambiente são regra inquebrável. Por sua vez, o que conseguimos concluir acima de tudo isto são intervenções artísticas que encerram si um carácter de extrema intervenção critico social, podendo destacar inclusivamente uma diversificação na abordagem das suas temáticas, o que também contribui para que esta se torne numa arte popular que é facilmente reconhecida pelo público.
Os primeiros passos por detrás do realismo foram feitos na “escola” de Barbizon, que serviu como rampa de lançamento para artistas deste género, hoje bastante conceituados como, Théodore Rousseau, conhecido especialmente pelos seus trabalhos onde destacava paisagens, e Constant Troyon. Dentro deste mesmo género podemos expressar uma gama de representações poéticas mais diversificadas capazes de exaltar a realidade pictórica que abunda estas gravuras, onde muitos nomes se elevam e reportam ao indiscutível simbolismo da época, que artistas como, Gustave Coubet, Honoré Daumier, Millet, Corot desenvolviam.
A fotografia é finalmente uma realidade, não só em função de quadros realistas ou naturalistas mas também graças a avanços tecnológicos ocorridos Pós-Revolução Industrial, que levaram à criação de um instrumento capaz de captar a luminosidade em determinado espaço, permitindo-nos mostrar o que esta consegue desencobrir através da isenção da própria escuridade, uma ciência que dependeria essencialmente de toda a abordagem referente ao uso significativo que a luz deposita tornando-se num seu reagente, conforme tudo aquilo que consegue provocar através da sua elevada manipulação, sem qualquer consciência do poder diorâmico que possui-a e que mais tarde viria a controlar, somente mais tarde é que a poderíamos ver em todo o seu esplendor na devida adaptabilidade e conforme necessário.
Daqui ao cinema foi um pulo!
CINEMA REALISTA
Optando agora por uma génese mais automatizada em redor duma indústria que não dispunha de nada que a pudesse elucidar face ás potencialidades de que hipoteticamente viria a ser alvo, ainda se encarava o cinema como uma experiência que vivia uma existência recente e que esta pudesse eventualmente até ser breve. A sua existência face ao mundo geria-se com vagos recursos que muito orgulhosamente o veriam crescer. Hoje é visível a pesada dependência que entrelaça um jovem aspirante a realizador no mundo onde este deambular e é testemunha do que vem vindo a presenciar.
Características singulares de registro fotográfico conferem um certo poder de credibilidade, ausente de qualquer registro pictórico assim como subverte a psicologia da imagem. Tomemos como exemplo uma citação de Bazin:
“Sejam quais forem as objecções do nosso espírito crítico, somos obrigados a crer na existência do objecto representado, literalmente representado, quer dizer, tornado presente no tempo e no espaço.”
O ideal objectivo do qual a imagem fotoquímica vive só seria possível fruto da sua história e do que esta conseguiu desencadear no espectador recorrendo a uma fonte mecânica de registro humanizado. O cinema realista pretende esconder a artificialidade do seu processo de origem atribuindo-lhe um significado de fluidez natural. A imagem de que falamos, na sua abordagem mais ampla é agora visível e assim exposta a enumeras investidas por parte das variáveis manipulações que consomem os interesses que assaltam a adulteração notória dos objectos antes de um registo mais ordenado e psicológico.
Assim sendo, a cena de FC "Charcuterie Méchanique" feita por Louis Lumière em 1897, por exemplo, seria mais realista que as criaturas digitais da ilha Nublar em Jurassic Park de Spielberg. Deste modo, a base tecnológica da fotografia, em oposição aos meios manuais, auto gráficos e digitais de produzir imagens, transforma-se na base da tese psicológica do realismo delineada por Bazin.
O EVOLUIR DAS ARTES PLÁSTICAS
O IMPRESSIONISMO
É nos chegada a revolução Impressionista que esteve em voga durante os anos de 1860-70, fruto das experiências de ambiciosos jovens artistas que constituíam uma época de tertúlias onde eram discutidas as suas abordagens com especial atenção à sua forma de aplicação a respeito de uma corrente perspicaz, que por levar esta direcção adquire rigores estéticos mais ambiciosos provenientes de uma maior aceitação estudada conforme a aceitação e as interrogações por parte do que é considerado artisticamente viável.
Mas quais as atitudes verdadeira mente reflectidas por tudo isto.
Teremos de englobar um contexto político social que nos deixa a descoberto um clima capitalista de raiz burguesa que é vivido, sabendo-se estruturar o suficiente para tirar partido dos avanços científicos que eram a principal medida das suas conquistas e progressos tecnológicos.
Esta arte é no entanto um oposto perante qualquer cânone Romântico e aos intelectualismos do realismo, mesmo que o movimento impressionista tenha tido como base estes antigos estilos com isto estamos agora perante um novo simbolismo que destaca no movimento a energia de que são alvo sentimentos vibrantes. É visível um carácter estritamente particular que liga cada quadro ao que este transmite conforme o artista que o compôs, porem é de salientar impressões que acabam por ir de encontro aos requisitos impostos pela iniciativa impressionista onde a arte explora a vida citadina moderna com perspectivas individuais que ganham a consistência do seu individualismo solitário e autodidacta.
Os meios que estão por detrás destas composições investem no campo de embelezamento de muitas paisagens, transmitem-nos uma definição humana que se rege de acordo com a sua adaptabilidade no mundo moderno que perturba toda a sua atenção, o mesmo interesse dado por uma certa captação da realidade vivida que sente o abalo que deixa a descoberto cores que disparam na direcção atenta do observador que reage à disposição que a luz investe no varrer da sua leitura.
O grupo mais conhecido de Impressionistas era constituído por artistas como: Cammille Pissarro, Paul Cézanne, Armand Guillaumin, Claude Monet, Auguste Renoir, Frédéric Cézanne, entre outros.
Esta nova representação estilística foi possível de obter em função de descobertas como a fotografia que lhe introduzirão elementos específicos importados por sua vez graças ao realismo anteriormente estudado, apoia em baralhar as perspectivas cuja a dimensão de observação é mais aleatória no que toca à composição dinâmica da obra. As estampas japonesas obtidas através do linearismo e planificação, sem claro-escuro, isentam as modelações e volumetrias, opõem-se à pormenorizada procura no acrescido decorativismo simbólico que são agora uma contra-posição significativa, a causa maior que tanto distanciou artistas a perderem rigor pela execução precisa dos detalhes mais minuciosos. Experiências técnicas e científicas alargaram os horizontes que estavam à disposição do seu tempo, adquirindo uma nova liberdade artística que possibilitaria atingir uma nova amplitude de intervenção complementar ao espírito prático e de extrema originalidade deste período.
A pintura Impressionista procura captar o instante luminoso, o fugaz e fugido, estados de uma constante variação de contrastes, um efeito irremovível por parte da luminosidade que tem sempre lugar marcado na sala de observação do objecto sem a qual nenhum sobrevive. Todo este processo de execução baseia-se num método primordialmente experimental que racionaliza e coordena objectivos de índole pessoal à disposição da sua sociedade.
Tecnicamente este género produz efeitos através de uma justaposição na tela, pinceladas pequenas, nervosas, em forma de vírgula ou interrompidas, executadas com grande rapidez perante a gravura e ao ar livre de preferência. As cores exploradas seriam tonalidades puras, fortes e vibrantes, retiradas directamente dos tubos. Aplicadas de acordo com leis complementares de modo a obter a fusão dos seus tons aos olhos do espectador, sem que estas tivessem de obter uma mistura na paleta. O impressionismo traduz-se essencialmente através de uma fusão óptica que se vê caracterizada segundo um aspecto evanescente. Obtemos assim como resultado a dissolução da forma de superfícies e volumes, desaparecendo quase por completo, corporeidade dos objectos.
Resumidamente o trabalho Impressionista vive da rudes que atribui ao formato das suas obras, do sentido inacabado e esboço expressivo, contrastado com o seu folheado aleatório baseado em preparações mais ou menos académicas parisienses.
Talvez por isso a notoriedade não tenha podido bater à porta da grande parte dos artistas que não obtiveram qualquer reconhecimento público, tendo como única medida expor os seus trabalhos segundo uma parceria de interesses, exibidos em locais que estes denominavam como “Salões dos Recusados”. É uma corrente indiscutivelmente parisiense com repercussões bastante visíveis em muitos pontos da Europa, traços que se foram espalhando pela diversidade de artistas que chegavam a França vindos de Itália, Portugal, América, etc, reflectindo nas suas obras as influências de que seriam alvo.
O cinema impressionista não se esconde muito no que toca a partilhar de forma subtil as mesmas características que aqui se souberam manter em aberto, é porem já sabido o indiscutível movimento que aviva os atributos bidimensionais exercidos pelo cinema sobre as imagens a projectar. O que conta essencialmente para os desígnios do Cinema Impressionista é fundamentalmente os seus próprios cenários que são construídos, ou escolhidos em conformidade com as impressões que se pretendem transparecer numa atitude mais específica perante tudo o que a narrativa está a querer trabalhar, sendo significativo o suficiente para quem vai interpretar a história futuramente apresentada. Há todo um enquadramento entre cenário, actores, adereços, caracterização, etc, que são fundamentais para uma melhor percepção do que pode não ser obrigatoriamente real, mas que endurece a aproximação do que se consegue adquirir em termos do mínimo senso interpretativo que se soube refugiar da muito recorrente falta de composição cinematográfica, de estrutura amadora sem composições previamente analisadas que falham nos objectivos propostos pelo realizador que vai contra a mensagem que era proposta.
Exemplos deste género cinematográfico temos filmes como “ In the Cut” de Jane Campion, o “Xangô de Miguel Faria Jr., mas talvez seja ainda melhor dar como exemplo o “Mestre do Suspense” Alfred Hitchcock que dirigiu filmes como “The Man Who Knew To Much”, “Vertigo”, “Psycho”, em que nos seus filmes qualquer detalhe acrescenta um ponto.
O EXPRESSIONISMO
Abordaremos agora uma corrente marcante na sua capacidade de expressão, capaz de nos levar a abrir espaço de forma crua e introspectiva ao concreto de qualquer sensação. Repleta de emotividade prestando criar regras subliminares no que toca ao seu tratamento no domínio da intensidade introspectiva, sendo por vezes difícil gerir o que é prestado sentir, esta corrente artística vai canalizar soluções suficientes à sua tentativa por entender integrar as devidas preocupações no que toca a descodificar complexidade de sentimentos da qual estas obras são estudo, mostrando que é possível tornar tudo “aquilo que vai cá dentro” fácil de entender. Este movimento adquire características da arte Germânica.
Primordialmente este estilo adquire duas tendências principais; inicialmente no séc. XX, é nos dada a conhecer pelo movimento Die Brucke, nascido em 1905, na cidade de Dresden onde mais tarde viria a desenvolver novas tendências que estariam por de trás da origem de um mais recente movimento, o Der Blaue Reiter, nascido por volta de 1911 na cidade de Munique.
Die Brucke:
O Expressionismo nasce com o objectivo linear que pretendia fazer prevalecer a arte do passado, sendo sempre alvo de condicionamento perante a realidade da sua leitura objectiva propondo-lhe um brotar renovado no traçar dos seus ideais de origem, era agora mais uma rebelde ao estilo de arte académico e debatendo-se de frente com o Impressionismo no mesmo plano de igualdade que encarava a industrialização no campo das artes. Um estilo que tem como fortes exemplos da sua técnica as cores aplicadas por Van Gogh e Gauguin, mas onde o linearismo dinâmico de Toulouse- Lautrec foi mais uma influência marcante, onde também se juntaram a esta corrente o norueguês Munch e a pintura macabra de Ensor. Ambos partilhavam uma linguagem extremamente figurativa onde a realidade era colocada como fulcro do conhecimento e inspiração, procurando assim o intuído em querer prestar o devido manifesto que justificasse o descontentamento humano surtido de muitas maneiras – a miséria, prostituição, a opressão, a dor, injustiça, tudo condições muito vividas não inicio deste novo século, daí a termos que acrescentar sempre um certo pendor social a estas obras.
As figuras expressam em si os sentimentos humanos de que somos alvo, o seu dramatismo e angústia levados por assim dizer quase ao extremo, traçando o lado mais trágico das nossas vidas. Esta estética era por vezes catalogada como absurda e compulsiva, deixando a descoberto imagens deformadas e aguçadas com contornos de linhas a negro, cores violentas, contrastadas e sombrias, que definiam vários aspectos da natureza humana, sentimentos de paixão e até mesmo um certo erotismo. O desenho deveria ser dado através da cor procurando uma manifestação espontânea, sem que fosse necessário um delineamento prévio que irá adquirir um temperamento irreflectido que segue em função do próprio esboço, um desenho com ar rude e inacabado, com espaços que sobrem ainda na tela por pintar. Tudo isto é uma consequência pela procura de uma linguagem arcaizante, primitiva e infantil opondo-se às temáticas mais contemporâneas.
Der Blaue Reiter:
Na 1ª década do século XX na cidade de Munique, eis que surge mais um movimento de ordem expressionista que tomou como seu impulsionador o artista russo radicado na Alemanha, Wassily Kandinsky, formado juntamente com Franz Marc em 1910, um grupo que também conhecido por “O Cavaleiro Azul”. Este grupo resolve trazer outros artistas da Nova Associação dos Artistas de Munique.
Mais do que nunca era agora procurado atingir construções que abrangessem construir a máxima realidade no campo das experiências, o intuir dos sentimentos subjectivos paralelamente às sensações de cada um que compuseram a arte deste período. O objectivo aqui estabelecido esteve sempre na apropriação em criar uma arte pessoal que dependesse da meditação que compõe as alíneas necessárias ao cumprimento das suas próprias características, fazendo prevalecer necessidades de maior força interior. Pontos em comum entre autores mais restritos e individualistas do género, destacamos seja qual for o caso, a dimensão lírica da cor, a claridade e força luminosa podendo ser dura ou macia, quentes ou frias, os dinamismos da forma que investem na sua capacidade de fascínio, algo que toca numa magia interna e energia psíquica, o reconquistar da pureza da natureza de tendência abstracta das superfícies.
O cinema expressionista alemão por sua vez partilha muitos registos comuns por parte das artes plásticas, que segundo todo um legado de características essenciais à temática abordada pelo seu estilo viriam a adaptar conforme os ajustes sociais que se haviam instalado. Transposições humanizadas que caracterizam o profundo desalento emocional sentido por parte das pessoas e que encontravam como principal causador de todo este mal, a 1ª Grande Guerra Mundial.
O Gabinete do Dr. Caligari, dirigido por Robert Wiene, será sem dúvida uma das melhores representações clássicas que expõem firmemente as intenções que evidenciariam os sentimentos que mais se justificam em ambiente de guerra, envolvendo a Alemanha, até mesmo pós final da 1ª Grande Guerra. Assim conseguimos obter uma representação brilhante através deste painel de sentimentos contraditórios e terríficos que constroem a abordagem geral dos cenários expressionistas, daí a diz que as imagens de Caligari são como reflexos em espelhos deformados onde todas as medidas sentem o peso de uma inversão estabelecida à priori, acabando por se deixar inverter em função por vezes de um sentido real que é conseguido através do claro/escuro de contrastes violentos, o que acentua ainda mais este processo de inversão. O abstracto psicadélico da mente expressado é retratado por uma cenografia de perspectivas inusitadas e enviesadas, de forte teor anti-realistas, uma intenção de abordagem estética onírica e sobrenatural prestes a ver os seus objectivos cumpridos seguindo um carácter cinematográfico agora por trabalhar. A sua narrativa ficcionada tende a ser interpretada como uma valente avaliação no intuito profético do próprio destino, característica mais do que marcante na visão de mundo expressionista.
Na sintaxe do idioma alemão, os objectos têm vida activa, empregando-se para falar deles, verbos e adjectivos que servem para caracterizar os seres vivos. Muito antes do expressionismo, a animação do inorgânico já havia sido levada a extremos. Em 1879, o escritor alemão Friedrich Vischer, nos revela Eisner, em seu romance Auch Einer fala com muita seriedade da "perfídia do objecto", que espreita com uma certa alegria maligna os nossos esforços para domina-lo.
Os elementos essenciais do expressionismo só conseguiram a sua implementação definitiva por intermédio de uma nova arte, o domínio da imagem em movimento, dando vida a um mundo paralelo que com tanto gosto e privilégio podemos aqui estudar, povoado por visões subjectivas, misteriosas agitações do inorgânico e profecias inquietantes sobre uma nova era, rasgos da modernidade vivida.
CONCLUSÃO
Este trabalho terá tido como principal intuito criar uma atitude que realçasse o que ao fim ao cabo é, uma inerente obrigatoriedade estilística perante os conceitos cinematográficos com que nos cruzamos hoje em dia, abraçando muitos paralelismos simbólicos face à sua matéria de origem, propondo incutindo algum saber por parte do decorrer destas adaptações visto terem deixado a trás de si todo um processo hoje mais arrefecido, capaz de desmontar a forma como se pode conjugar toda a variedade de artes numa só, isto veio permitir o modo de como é deixado a descoberto algumas das principais correntes no campo das artes plásticas, o que lhes confere um forte teor de adaptabilidade no que corresponde em pleno ás exigências pedidas segundo uma ordem de ideias que correspondam a outros campos de destaque por parte da nossa sociedade, que com a chegada de um novo século viu despontar uma vasta série de actividades que se encaixavam com o recente estilo de vida que agora passaria a estar mais em voga, a vida boémia!
Era possível ver os interesses das pessoas proliferarem conforme as tendências e gostos, as modas que acabariam por se diversificar ainda mais agora com a chegada de uma nova postura social, a ida a teatros, óperas, galerias de arte, cafés, mais tarde os cinemas também acabariam por despontar, a forma como uma imagem pode ganhar vida onde presenciamos uma projecção que nos narra uma ideia, explora momentos com toda a receptividade vindo deixar em aberto dados conclusivos no que toca à presença humana indiciando um vasculhar constante no seu estado interactivo que é base fundamental para todo o seu comportamento e divergentes estados de humor.
As linhas cinematográficas mais relevantes e escolhidas por mim terão sido O Realismo/Naturalismo, em que vemos salientada a importância e o surgimento da fotografia e qual o seu peso na sociedade, leva-nos a perceber a rapidez com que haviam conquistado um lugar de destaque por parte de uma nova invenção que traria a possibilidade de destaque por parte do mundo privilégios de tamanha diversidade com que privamos diariamente, e que maioritariamente passam despercebidos dada a rotina e banalização das acções no quotidiano.
O Impressionismo, que procura avançar a sua acção estética num grupo de variadas correntes artísticas e que daí por diante, maior seria o estado de consciência inclinado para com a percepção da sensibilidade individual, é uma arte apurada no que toca à mínima coordenação dos sentidos e de como estas podem ser ajustadas para atingir determinadas sensações e emoções, o que já irá ao encontro do Expressionismo.
Conseguimos perceber de modo intimista algum do rigor que nos é passado a transmitir por parte de filmes, livros, quadros, música, alta diversidade de conteúdos que nos entregam o combinar essencial que nos faz agir e virar de frente rumo ao caminho escolhido por parte de um realizador em possível acto de manobra, devemos ter sempre presente em nós que, o poder quebrar as regras requer criar ajustes que enquadrem todo um padrão clássico de modo a que este seja facilmente cumprido, mas isso só é possível através de um profundo conhecimento derivado de uma alta entrega e dedicação ao trabalho o que proporciona espaço necessário ao acto da criação aleatória, é fundamental perceber que antes de se romper o que quer que seja convém aprender a cozer antes, o respeito por parte da arte é trabalho árduo.
A pintura realista surge em França, por volta das décadas de 30 e 40 do séc. XIX. Estaria bastante vinculada no que toca aos interesses políticos e sociais que faziam parte da sua época, com principal destaque para a Ascensão do 2º Império, a revolução de 1848 que pôde servir de “background” para uma primeira tentativa no ramo das artes plásticas que estariam ao serviço do relato institucionalizado, ou seja, uma acrescente necessidade em contar a história de como esta se tinha passado mas fazer dessa história uma autenticidade de provas que possam confirmar a veracidade dos factos ocorridos.
Antes tomara a literatura como forte alicerce de inspiração, mas este é rapidamente deposto quando decide tornar grande parte dos seus interesses as objectividades da Natureza facilmente observável, representar o real de forma minuciosa e fiel era grande parte do plano que se pretendia alcançar. Era a arte que expunha a vida moderna e rural da altura, abraçava os contornos dos quais esta mais recente sociedade vivia, como espelho que auxilia no que toca a reconhecermo-nos como indivíduos que não são todos os dias iguais, a sociedade também se apercebe das alterações de que é alvo e o como isso lhe fornece uma reflexão promissora, apelando a juízos da memória que não deixaram menosprezar o que pôde ser compreendido do pelo seu passado, caso não estejamos interessados em o voltar repetir.
A representação Humana é feita com acentuado rigor, a anatomia das proporções e das volumetrias e a cor do ambiente são regra inquebrável. Por sua vez, o que conseguimos concluir acima de tudo isto são intervenções artísticas que encerram si um carácter de extrema intervenção critico social, podendo destacar inclusivamente uma diversificação na abordagem das suas temáticas, o que também contribui para que esta se torne numa arte popular que é facilmente reconhecida pelo público.
Os primeiros passos por detrás do realismo foram feitos na “escola” de Barbizon, que serviu como rampa de lançamento para artistas deste género, hoje bastante conceituados como, Théodore Rousseau, conhecido especialmente pelos seus trabalhos onde destacava paisagens, e Constant Troyon. Dentro deste mesmo género podemos expressar uma gama de representações poéticas mais diversificadas capazes de exaltar a realidade pictórica que abunda estas gravuras, onde muitos nomes se elevam e reportam ao indiscutível simbolismo da época, que artistas como, Gustave Coubet, Honoré Daumier, Millet, Corot desenvolviam.
A fotografia é finalmente uma realidade, não só em função de quadros realistas ou naturalistas mas também graças a avanços tecnológicos ocorridos Pós-Revolução Industrial, que levaram à criação de um instrumento capaz de captar a luminosidade em determinado espaço, permitindo-nos mostrar o que esta consegue desencobrir através da isenção da própria escuridade, uma ciência que dependeria essencialmente de toda a abordagem referente ao uso significativo que a luz deposita tornando-se num seu reagente, conforme tudo aquilo que consegue provocar através da sua elevada manipulação, sem qualquer consciência do poder diorâmico que possui-a e que mais tarde viria a controlar, somente mais tarde é que a poderíamos ver em todo o seu esplendor na devida adaptabilidade e conforme necessário.
Daqui ao cinema foi um pulo!
CINEMA REALISTA
Optando agora por uma génese mais automatizada em redor duma indústria que não dispunha de nada que a pudesse elucidar face ás potencialidades de que hipoteticamente viria a ser alvo, ainda se encarava o cinema como uma experiência que vivia uma existência recente e que esta pudesse eventualmente até ser breve. A sua existência face ao mundo geria-se com vagos recursos que muito orgulhosamente o veriam crescer. Hoje é visível a pesada dependência que entrelaça um jovem aspirante a realizador no mundo onde este deambular e é testemunha do que vem vindo a presenciar.
Características singulares de registro fotográfico conferem um certo poder de credibilidade, ausente de qualquer registro pictórico assim como subverte a psicologia da imagem. Tomemos como exemplo uma citação de Bazin:
“Sejam quais forem as objecções do nosso espírito crítico, somos obrigados a crer na existência do objecto representado, literalmente representado, quer dizer, tornado presente no tempo e no espaço.”
O ideal objectivo do qual a imagem fotoquímica vive só seria possível fruto da sua história e do que esta conseguiu desencadear no espectador recorrendo a uma fonte mecânica de registro humanizado. O cinema realista pretende esconder a artificialidade do seu processo de origem atribuindo-lhe um significado de fluidez natural. A imagem de que falamos, na sua abordagem mais ampla é agora visível e assim exposta a enumeras investidas por parte das variáveis manipulações que consomem os interesses que assaltam a adulteração notória dos objectos antes de um registo mais ordenado e psicológico.
Assim sendo, a cena de FC "Charcuterie Méchanique" feita por Louis Lumière em 1897, por exemplo, seria mais realista que as criaturas digitais da ilha Nublar em Jurassic Park de Spielberg. Deste modo, a base tecnológica da fotografia, em oposição aos meios manuais, auto gráficos e digitais de produzir imagens, transforma-se na base da tese psicológica do realismo delineada por Bazin.
O EVOLUIR DAS ARTES PLÁSTICAS
O IMPRESSIONISMO
É nos chegada a revolução Impressionista que esteve em voga durante os anos de 1860-70, fruto das experiências de ambiciosos jovens artistas que constituíam uma época de tertúlias onde eram discutidas as suas abordagens com especial atenção à sua forma de aplicação a respeito de uma corrente perspicaz, que por levar esta direcção adquire rigores estéticos mais ambiciosos provenientes de uma maior aceitação estudada conforme a aceitação e as interrogações por parte do que é considerado artisticamente viável.
Mas quais as atitudes verdadeira mente reflectidas por tudo isto.
Teremos de englobar um contexto político social que nos deixa a descoberto um clima capitalista de raiz burguesa que é vivido, sabendo-se estruturar o suficiente para tirar partido dos avanços científicos que eram a principal medida das suas conquistas e progressos tecnológicos.
Esta arte é no entanto um oposto perante qualquer cânone Romântico e aos intelectualismos do realismo, mesmo que o movimento impressionista tenha tido como base estes antigos estilos com isto estamos agora perante um novo simbolismo que destaca no movimento a energia de que são alvo sentimentos vibrantes. É visível um carácter estritamente particular que liga cada quadro ao que este transmite conforme o artista que o compôs, porem é de salientar impressões que acabam por ir de encontro aos requisitos impostos pela iniciativa impressionista onde a arte explora a vida citadina moderna com perspectivas individuais que ganham a consistência do seu individualismo solitário e autodidacta.
Os meios que estão por detrás destas composições investem no campo de embelezamento de muitas paisagens, transmitem-nos uma definição humana que se rege de acordo com a sua adaptabilidade no mundo moderno que perturba toda a sua atenção, o mesmo interesse dado por uma certa captação da realidade vivida que sente o abalo que deixa a descoberto cores que disparam na direcção atenta do observador que reage à disposição que a luz investe no varrer da sua leitura.
O grupo mais conhecido de Impressionistas era constituído por artistas como: Cammille Pissarro, Paul Cézanne, Armand Guillaumin, Claude Monet, Auguste Renoir, Frédéric Cézanne, entre outros.
Esta nova representação estilística foi possível de obter em função de descobertas como a fotografia que lhe introduzirão elementos específicos importados por sua vez graças ao realismo anteriormente estudado, apoia em baralhar as perspectivas cuja a dimensão de observação é mais aleatória no que toca à composição dinâmica da obra. As estampas japonesas obtidas através do linearismo e planificação, sem claro-escuro, isentam as modelações e volumetrias, opõem-se à pormenorizada procura no acrescido decorativismo simbólico que são agora uma contra-posição significativa, a causa maior que tanto distanciou artistas a perderem rigor pela execução precisa dos detalhes mais minuciosos. Experiências técnicas e científicas alargaram os horizontes que estavam à disposição do seu tempo, adquirindo uma nova liberdade artística que possibilitaria atingir uma nova amplitude de intervenção complementar ao espírito prático e de extrema originalidade deste período.
A pintura Impressionista procura captar o instante luminoso, o fugaz e fugido, estados de uma constante variação de contrastes, um efeito irremovível por parte da luminosidade que tem sempre lugar marcado na sala de observação do objecto sem a qual nenhum sobrevive. Todo este processo de execução baseia-se num método primordialmente experimental que racionaliza e coordena objectivos de índole pessoal à disposição da sua sociedade.
Tecnicamente este género produz efeitos através de uma justaposição na tela, pinceladas pequenas, nervosas, em forma de vírgula ou interrompidas, executadas com grande rapidez perante a gravura e ao ar livre de preferência. As cores exploradas seriam tonalidades puras, fortes e vibrantes, retiradas directamente dos tubos. Aplicadas de acordo com leis complementares de modo a obter a fusão dos seus tons aos olhos do espectador, sem que estas tivessem de obter uma mistura na paleta. O impressionismo traduz-se essencialmente através de uma fusão óptica que se vê caracterizada segundo um aspecto evanescente. Obtemos assim como resultado a dissolução da forma de superfícies e volumes, desaparecendo quase por completo, corporeidade dos objectos.
Resumidamente o trabalho Impressionista vive da rudes que atribui ao formato das suas obras, do sentido inacabado e esboço expressivo, contrastado com o seu folheado aleatório baseado em preparações mais ou menos académicas parisienses.
Talvez por isso a notoriedade não tenha podido bater à porta da grande parte dos artistas que não obtiveram qualquer reconhecimento público, tendo como única medida expor os seus trabalhos segundo uma parceria de interesses, exibidos em locais que estes denominavam como “Salões dos Recusados”. É uma corrente indiscutivelmente parisiense com repercussões bastante visíveis em muitos pontos da Europa, traços que se foram espalhando pela diversidade de artistas que chegavam a França vindos de Itália, Portugal, América, etc, reflectindo nas suas obras as influências de que seriam alvo.
O cinema impressionista não se esconde muito no que toca a partilhar de forma subtil as mesmas características que aqui se souberam manter em aberto, é porem já sabido o indiscutível movimento que aviva os atributos bidimensionais exercidos pelo cinema sobre as imagens a projectar. O que conta essencialmente para os desígnios do Cinema Impressionista é fundamentalmente os seus próprios cenários que são construídos, ou escolhidos em conformidade com as impressões que se pretendem transparecer numa atitude mais específica perante tudo o que a narrativa está a querer trabalhar, sendo significativo o suficiente para quem vai interpretar a história futuramente apresentada. Há todo um enquadramento entre cenário, actores, adereços, caracterização, etc, que são fundamentais para uma melhor percepção do que pode não ser obrigatoriamente real, mas que endurece a aproximação do que se consegue adquirir em termos do mínimo senso interpretativo que se soube refugiar da muito recorrente falta de composição cinematográfica, de estrutura amadora sem composições previamente analisadas que falham nos objectivos propostos pelo realizador que vai contra a mensagem que era proposta.
Exemplos deste género cinematográfico temos filmes como “ In the Cut” de Jane Campion, o “Xangô de Miguel Faria Jr., mas talvez seja ainda melhor dar como exemplo o “Mestre do Suspense” Alfred Hitchcock que dirigiu filmes como “The Man Who Knew To Much”, “Vertigo”, “Psycho”, em que nos seus filmes qualquer detalhe acrescenta um ponto.
O EXPRESSIONISMO
Abordaremos agora uma corrente marcante na sua capacidade de expressão, capaz de nos levar a abrir espaço de forma crua e introspectiva ao concreto de qualquer sensação. Repleta de emotividade prestando criar regras subliminares no que toca ao seu tratamento no domínio da intensidade introspectiva, sendo por vezes difícil gerir o que é prestado sentir, esta corrente artística vai canalizar soluções suficientes à sua tentativa por entender integrar as devidas preocupações no que toca a descodificar complexidade de sentimentos da qual estas obras são estudo, mostrando que é possível tornar tudo “aquilo que vai cá dentro” fácil de entender. Este movimento adquire características da arte Germânica.
Primordialmente este estilo adquire duas tendências principais; inicialmente no séc. XX, é nos dada a conhecer pelo movimento Die Brucke, nascido em 1905, na cidade de Dresden onde mais tarde viria a desenvolver novas tendências que estariam por de trás da origem de um mais recente movimento, o Der Blaue Reiter, nascido por volta de 1911 na cidade de Munique.
Die Brucke:
O Expressionismo nasce com o objectivo linear que pretendia fazer prevalecer a arte do passado, sendo sempre alvo de condicionamento perante a realidade da sua leitura objectiva propondo-lhe um brotar renovado no traçar dos seus ideais de origem, era agora mais uma rebelde ao estilo de arte académico e debatendo-se de frente com o Impressionismo no mesmo plano de igualdade que encarava a industrialização no campo das artes. Um estilo que tem como fortes exemplos da sua técnica as cores aplicadas por Van Gogh e Gauguin, mas onde o linearismo dinâmico de Toulouse- Lautrec foi mais uma influência marcante, onde também se juntaram a esta corrente o norueguês Munch e a pintura macabra de Ensor. Ambos partilhavam uma linguagem extremamente figurativa onde a realidade era colocada como fulcro do conhecimento e inspiração, procurando assim o intuído em querer prestar o devido manifesto que justificasse o descontentamento humano surtido de muitas maneiras – a miséria, prostituição, a opressão, a dor, injustiça, tudo condições muito vividas não inicio deste novo século, daí a termos que acrescentar sempre um certo pendor social a estas obras.
As figuras expressam em si os sentimentos humanos de que somos alvo, o seu dramatismo e angústia levados por assim dizer quase ao extremo, traçando o lado mais trágico das nossas vidas. Esta estética era por vezes catalogada como absurda e compulsiva, deixando a descoberto imagens deformadas e aguçadas com contornos de linhas a negro, cores violentas, contrastadas e sombrias, que definiam vários aspectos da natureza humana, sentimentos de paixão e até mesmo um certo erotismo. O desenho deveria ser dado através da cor procurando uma manifestação espontânea, sem que fosse necessário um delineamento prévio que irá adquirir um temperamento irreflectido que segue em função do próprio esboço, um desenho com ar rude e inacabado, com espaços que sobrem ainda na tela por pintar. Tudo isto é uma consequência pela procura de uma linguagem arcaizante, primitiva e infantil opondo-se às temáticas mais contemporâneas.
Der Blaue Reiter:
Na 1ª década do século XX na cidade de Munique, eis que surge mais um movimento de ordem expressionista que tomou como seu impulsionador o artista russo radicado na Alemanha, Wassily Kandinsky, formado juntamente com Franz Marc em 1910, um grupo que também conhecido por “O Cavaleiro Azul”. Este grupo resolve trazer outros artistas da Nova Associação dos Artistas de Munique.
Mais do que nunca era agora procurado atingir construções que abrangessem construir a máxima realidade no campo das experiências, o intuir dos sentimentos subjectivos paralelamente às sensações de cada um que compuseram a arte deste período. O objectivo aqui estabelecido esteve sempre na apropriação em criar uma arte pessoal que dependesse da meditação que compõe as alíneas necessárias ao cumprimento das suas próprias características, fazendo prevalecer necessidades de maior força interior. Pontos em comum entre autores mais restritos e individualistas do género, destacamos seja qual for o caso, a dimensão lírica da cor, a claridade e força luminosa podendo ser dura ou macia, quentes ou frias, os dinamismos da forma que investem na sua capacidade de fascínio, algo que toca numa magia interna e energia psíquica, o reconquistar da pureza da natureza de tendência abstracta das superfícies.
O cinema expressionista alemão por sua vez partilha muitos registos comuns por parte das artes plásticas, que segundo todo um legado de características essenciais à temática abordada pelo seu estilo viriam a adaptar conforme os ajustes sociais que se haviam instalado. Transposições humanizadas que caracterizam o profundo desalento emocional sentido por parte das pessoas e que encontravam como principal causador de todo este mal, a 1ª Grande Guerra Mundial.
O Gabinete do Dr. Caligari, dirigido por Robert Wiene, será sem dúvida uma das melhores representações clássicas que expõem firmemente as intenções que evidenciariam os sentimentos que mais se justificam em ambiente de guerra, envolvendo a Alemanha, até mesmo pós final da 1ª Grande Guerra. Assim conseguimos obter uma representação brilhante através deste painel de sentimentos contraditórios e terríficos que constroem a abordagem geral dos cenários expressionistas, daí a diz que as imagens de Caligari são como reflexos em espelhos deformados onde todas as medidas sentem o peso de uma inversão estabelecida à priori, acabando por se deixar inverter em função por vezes de um sentido real que é conseguido através do claro/escuro de contrastes violentos, o que acentua ainda mais este processo de inversão. O abstracto psicadélico da mente expressado é retratado por uma cenografia de perspectivas inusitadas e enviesadas, de forte teor anti-realistas, uma intenção de abordagem estética onírica e sobrenatural prestes a ver os seus objectivos cumpridos seguindo um carácter cinematográfico agora por trabalhar. A sua narrativa ficcionada tende a ser interpretada como uma valente avaliação no intuito profético do próprio destino, característica mais do que marcante na visão de mundo expressionista.
Na sintaxe do idioma alemão, os objectos têm vida activa, empregando-se para falar deles, verbos e adjectivos que servem para caracterizar os seres vivos. Muito antes do expressionismo, a animação do inorgânico já havia sido levada a extremos. Em 1879, o escritor alemão Friedrich Vischer, nos revela Eisner, em seu romance Auch Einer fala com muita seriedade da "perfídia do objecto", que espreita com uma certa alegria maligna os nossos esforços para domina-lo.
Os elementos essenciais do expressionismo só conseguiram a sua implementação definitiva por intermédio de uma nova arte, o domínio da imagem em movimento, dando vida a um mundo paralelo que com tanto gosto e privilégio podemos aqui estudar, povoado por visões subjectivas, misteriosas agitações do inorgânico e profecias inquietantes sobre uma nova era, rasgos da modernidade vivida.
CONCLUSÃO
Este trabalho terá tido como principal intuito criar uma atitude que realçasse o que ao fim ao cabo é, uma inerente obrigatoriedade estilística perante os conceitos cinematográficos com que nos cruzamos hoje em dia, abraçando muitos paralelismos simbólicos face à sua matéria de origem, propondo incutindo algum saber por parte do decorrer destas adaptações visto terem deixado a trás de si todo um processo hoje mais arrefecido, capaz de desmontar a forma como se pode conjugar toda a variedade de artes numa só, isto veio permitir o modo de como é deixado a descoberto algumas das principais correntes no campo das artes plásticas, o que lhes confere um forte teor de adaptabilidade no que corresponde em pleno ás exigências pedidas segundo uma ordem de ideias que correspondam a outros campos de destaque por parte da nossa sociedade, que com a chegada de um novo século viu despontar uma vasta série de actividades que se encaixavam com o recente estilo de vida que agora passaria a estar mais em voga, a vida boémia!
Era possível ver os interesses das pessoas proliferarem conforme as tendências e gostos, as modas que acabariam por se diversificar ainda mais agora com a chegada de uma nova postura social, a ida a teatros, óperas, galerias de arte, cafés, mais tarde os cinemas também acabariam por despontar, a forma como uma imagem pode ganhar vida onde presenciamos uma projecção que nos narra uma ideia, explora momentos com toda a receptividade vindo deixar em aberto dados conclusivos no que toca à presença humana indiciando um vasculhar constante no seu estado interactivo que é base fundamental para todo o seu comportamento e divergentes estados de humor.
As linhas cinematográficas mais relevantes e escolhidas por mim terão sido O Realismo/Naturalismo, em que vemos salientada a importância e o surgimento da fotografia e qual o seu peso na sociedade, leva-nos a perceber a rapidez com que haviam conquistado um lugar de destaque por parte de uma nova invenção que traria a possibilidade de destaque por parte do mundo privilégios de tamanha diversidade com que privamos diariamente, e que maioritariamente passam despercebidos dada a rotina e banalização das acções no quotidiano.
O Impressionismo, que procura avançar a sua acção estética num grupo de variadas correntes artísticas e que daí por diante, maior seria o estado de consciência inclinado para com a percepção da sensibilidade individual, é uma arte apurada no que toca à mínima coordenação dos sentidos e de como estas podem ser ajustadas para atingir determinadas sensações e emoções, o que já irá ao encontro do Expressionismo.
Conseguimos perceber de modo intimista algum do rigor que nos é passado a transmitir por parte de filmes, livros, quadros, música, alta diversidade de conteúdos que nos entregam o combinar essencial que nos faz agir e virar de frente rumo ao caminho escolhido por parte de um realizador em possível acto de manobra, devemos ter sempre presente em nós que, o poder quebrar as regras requer criar ajustes que enquadrem todo um padrão clássico de modo a que este seja facilmente cumprido, mas isso só é possível através de um profundo conhecimento derivado de uma alta entrega e dedicação ao trabalho o que proporciona espaço necessário ao acto da criação aleatória, é fundamental perceber que antes de se romper o que quer que seja convém aprender a cozer antes, o respeito por parte da arte é trabalho árduo.
