Wednesday, January 10, 2007

O DESCONHECIDO

Quero poder começar um trabalho que acaba de me ser proposto sem que este veja a ideia geral do que foi pedido comprometida de forma alguma, pondo os seus interesses em discussão aberta na procura dos objectivos pretendidos sendo também parte da tarefa que me autodisciplina a poder um dia gerir melhor os meus projectos pessoais. Ao encontro dos conteúdos está a forma que o Prof. Sena tem em lidar com a exposição do que é pretendido atingir por parte do desempenho dos alunos, mesmo que estes acompanhem a sua passada ao ritmo de uma voz surda sobre o efeito de flashes intrusos.
A tarefa é aparentemente simples, tentar encontrar um determinado motivo que por alguma razão consegue dar a perceber o desconhecido, que não respeita o fim próximo de nada, podendo vir a causar uma perturbação pontual com livre acesso ao grau de descoberta que vê toda a sua razão de ser, patrocinada pelo medo. Também há que saber temer aquilo que se conhece, não é só o que nos é estranho ou novo que nos causa arrelio, o desconhecido também se deixa marcar por aquilo que julgávamos anteriormente adquirido. Gradualmente surge o processo de adaptação, nunca de mais presente nos intuitos que despertam à nossa curiosidade, aqui podemos dividir o que nos é desconhecido versus aquilo que nós julgamos conhecer como indivíduos. É tudo uma básica troca de reacções no fundo. Este raciocínio surgiu-me no primeiro minuto após o Prof. Sena explicar o que queria com este exercício, assim deduzi que de alguma forma seria justo partilhar os meus primeiros pensamentos porque no meu entender eles já fazem parte do caminho desse subentendido vazio, com que fiquei de dar de caras hoje.
Acabam por permanecer algumas dúvidas que rapidamente se desenlaçam quando decido tornar parte da minha motivação num esboço desbocadamente solto com o qual me senti particularmente mais à vontade quando consegui chegar a uma conversa mais restrita com o sector revelando-lhe por poucas palavras o intuito do que eventualmente poderia vir a redigir, o gerir do diálogo de braço dado com abanar rasteiro da cabeça fizeram-me deduzir uma aprovação séptica até que lhe chegasse à prova de contrário, limitei-me ao desafio senão talvez não estivesse a ler isto agora.
Depois era tempo de organizarmos os grupos de trabalho que já nos começam a ser tão familiares, a Filipa, o Ruca, a minha penetra de estimação Raquel, e ainda mais outros colegas que tinham tido umas complicações devido à falta de câmaras por isso acabaram por ficar connosco. Enquanto fazíamos os possíveis por ir ao encontro do que já sabíamos ser parte do trabalho de estudo, não conseguia deixar de parte a ligação que se estabelece remetente a todos os trabalhos que temos vindo a realizar de modo gradual ao longo das aulas, estava a deixar tudo sublinhado uniformemente conduzindo a minha confiança à potencia que é equivalente a tudo o que observo, quero explicar que aqui no campo do desconhecido esta coisa da tomada de percepção acaba por ser visível bem mais perto do que julgamos ter consciência, as pessoas que passam por nós sem que tenhamos o mínimo conhecimento prévio do que lhes causou motivação suficiente, levando a que saíam à rua ilustrando aqui a individualidade do ser. Não era para fazer parte do meu discurso criar um eventual paralelismo levando a que se confunda o aparente desconhecimento de uma aparente ignorância dominante, ao mesmo tempo que a ideia parece ser bem vinda mesmo não o tivesse sido propositadamente. A ignorância é seguramente um ponto de partida que sofre de défice de auto-estima constante, o abismo entre esta e o desconhecido é que este já consegue estar uns degraus mais à frente ao tirar partido do seu sentido de iniciativa e oportunidade caso haja espaço para o fazer.
Acabei as aulas e vou agora com a Kel sempre naquela mesma direcção que percorrer ao passar para o lado de fora da entrada da etic, sempre na direcção dos mesmos comboios, sempre acompanhado das mesmas pessoas desconhecidas, passando sempre pelos mesmos edifícios com história a qual sinto que continuo a não conseguir fazer parte.Ela vai ao telemóvel a por a conversa do jet sete em dia, tenho a cabeça a latejar da fome que se faz sentir, a Raquel lembra-se agora de ficar com peso na consciência por não ter ido à aula de psicologia deve ser por isso que a decide aplicar em mim como modo extra curricular alternativo na indução perspicaz que já me fazia calcular que tal súbito interesse por mim podia trazer água no bico. Começa a querer que fosse almoçar a casa com ela antes de fazer as fotos que me colocam mais perto de alcançar o meu objectivo principal, numa tentativa frustrada que amontoa uma gama de preciosismos que inauguram a forma irritante que busca o seu interesse feminino em tentativas de psicologia invertida inglória. Disse que não podia, era bem melhor sairmos no Monte Estoril irmos almoçar algures onde nunca fomos, mas já que estou numa tentativa em discutir o que se há de comer, onde, como, porquê, com quem, achei que era boa iniciativa pedi à Mariana para se juntar a nós, numa pseudo aventura digna dos livros dos “Cinco”.
O telefone toca, uma mulher monossilábica em efeito cortina vêm-se-me à ideia, de seguida a previsão pontual das coisas, ela não viria. Vou com a Kel rua a cima.
Somos beneficiados pelas escadas que vieram ao nosso encontro visto que não é para ser propositado olhar para onde nos queremos dirigir, o que me fez até acreditar que estava no bom caminho. A Raquel começa com uma sucessiva evasiva de soluços cada um mais diferente do outro, nunca tinha visto uma pessoa que de 20 soluços nenhum ter uma fonética razoavelmente apresentável, estamos sempre a conhecer melhor as pessoas mas isso nunca foi uma dúvida, básicas interrogações retóricas. Chegamos ao destino, eu já tinha passado perto daquele local sempre com um súbito interesse em me aproximar do antigo Hotel que podemos ver lá do fundo que dá pelo antigo nome de Hotel Miramar do Monte Estoril, sabia da sua breve história, construído por volta da década de 40 mas que tivera o seu fim em 75 pós 25 de Abril, quando foi mandado incendiar que desde então ficou entregue ao abandono acabando por se expor ao trabalho interventivo por parte do tempo, esquecido numa vizinhança que sempre se mostrou bastante indiferente com a sua presença monumental.
Esta casa no fundo suscita em mim o interesse que me pôde reportar a assuntos abordados inicialmente nesta descrição vendo o seu papel interventivo muito mais ligado à causa unificadora da própria tarefa, passando maior parte do seu desenrolar a descrever os mecanismos menos perceptíveis das pessoas como processo de auto conhecimento. O estar dentro desta casa é deixar fluir a adrenalina que me motiva, ajuda-me a estimular características que nós já nem nos lembrávamos ser capazes de gerir e muitas das vezes indiferentes à sua presença, sentir que os meus olhos obedecem agora à conquista deste lugar é manifestação do quão inquieto me encontro. Vacilei por segundos quando ouso a Raquel a fugir do primeiro andar cá para baixo quando achou ter ouvido passos, quando eu na minha perfeita ignorância acho difícil haver passos num andar que ruiu, onde a única parte intacta era onde esta se encontrava, mas ok esqueço-me que na cabeça desta miúda é tudo relativo, até já quase me esqueci do quê que motiva em gostar tanto dela, ela nem se apercebeu que depois de sair de lá ficou em falta com um pedido de agradecimento, acho que com este pequeno parágrafo posso assim afirmar que a loucura também marcou presença.
Quis registar o imponência deste lugar as suas vibrações que mesmo com o passar dos anos se mantêm concentradas ali, fiéis aos serviços prestados em função do que era vivido, fruto de discussões, de alegria em noites de festa, fossem quais fossem as razões sempre momentos únicos dos quais se calhar não há registos ou já ninguém se lembra, repleto de histórias por contar onde talvez as conseguisse ainda escutar não fosse a banda sonora dos soluços atrás de mim a não favorecer em nada a minha dor de cabeça. A força com a qual me debati, registar momentos de salão, dos corredores, das varandas, até o antigo elevador mostram-nos a disposição dos ambientes, da atmosfera que estão sempre dependentes das pessoas que as gerem ou geriram.

João Nuno Chalana – Realização
etic_

1 Comments:

Infinitesimal said...

wish i could read/speak portuguese.

i liked that song down there, it is still playing in my head.

1:29 AM  

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